Dissertações em Comunicação, Cultura e Amazônia (Mestrado) - PPGCOM/ILC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/4453
O Mestrado Acadêmico em Comunicação, Cultura e Amazônia funciona no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM) do Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) O trabalho sexual online como exercício de sexualidades e subjetividades femininas cisgêneros: uma análise sobre o webcamming na plataforma brasileira Câmera Privê(Universidade Federal do Pará, 2024-08-13) OLIVEIRA, Gabrielle Borges de; LAGE, Leandro Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/2396184188116499; https://orcid.org/0000-0002-6814-9640; CRUZ, Kelly Kalynka Damasceno; CARVALHO, Claudiane de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/1824274302019872; http://lattes.cnpq.br/2239271930460750; https://orcid.org/0000-0002-0677-511X; https://orcid.org/0000-0002-5000-1074Na era das informações e das inovações tecnológicas que moldam os comportamentos e interações humanas, o ambiente das plataformas de webcamming e sexo virtual, como objeto dessa pesquisa, o Câmera Privê, é o exemplo perfeito de como os exercícios de sexualidades são afetados pela midiatização. Dentro de tais ambientes, encontramos a presença de sujeitos que fazem parte de um segmento do trabalho sexual: os modelos de webcam;, que utilizam de tal espaço virtual como uma forma de sustento, complementação de renda e também, como uma forma de exercer suas subjetividades e empoderamento através do exercício de suas sexualidades. O objetivo da pesquisa é investigar como se dão as práticas do webcamming feminino brasileiro no que diz sentido a (re)construção de subjetividades femininas cisgênero, tendo o ambiente virtual como um local do corpo como um objeto político de resistências e existências. Em específico são entender como as mulheres que protagonizam as práticas de webcamming observam a ação de fazer camming e investigar de que forma o ambiente virtual do webcamming como um local que possibilita resistência e autonomia feminina. A pesquisa utilizou as abordagens metodológicas da entrevista em profundidade, além de elementos da etnografia virtual, com observações em meio virtual da plataforma Câmera Privê. Como resultados, constatou-se que, embora o camming promoveu melhoras significativas na autoestima e sexualidade das modelos entrevistadas, ele ainda é uma prática de exploração econômica neoliberal e cercada de estigmas sociais. Por fim, ao mesmo tempo, cabe enfatizar que a pesquisa não objetivou romantizar ou criticar o webcamming, pois esta é uma prática que envolve contradições, de acordo com as percepções das entrevistadas e trabalhadoras do ramo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Audiodescrição: da tradução à mediação comunicacional para a produção de sentidos por pessoas com deficiência visual(Universidade Federal do Pará, 2025-12-01) CRUZ, Ana Lúcia Oliveira da; CASTRO, Marina Ramos Neves de; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; CASTRO, Marina Ramos Neves de; CASTRO, Fabio Fonseca de; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/9960637815307770; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0003-0849-9814A audiodescrição tem sido compreendida como um recurso de acessibilidade que traduz o signo visual em signo verbal para o acesso de pessoas com deficiência visual a imagens presentes em filmes, espetáculos teatrais, atividades esportivas e outras manifestações culturais. Esta pesquisa problematiza a audiodescrição, deslocando-a da concepção de tradução para a de mediação no campo da Comunicação, a partir dos aportes teóricos de Barbero (2009). O estudo foi norteado pelo seguinte problema: como a audiodescrição constitui-se enquanto mediação comunicacional para a produção de sentidos por pessoas com deficiência visual? Para o desenvolvimento teórico-metodológico, adotaram-se as contribuições de Bakhtin (1993; 1997; 2014), Maingueneau (2008; 2013) e Castro (2018). A análise fundamentou-se em grupos focais realizados com estudantes com deficiência visual da Universidade Federal do Pará como estratégia metodológica de apreensão de experiências mediadas pela audiodescrição nas dimensões dialógica, discursiva e sensorial. Os resultados evidenciam que a audiodescrição, enquanto mediação no campo da Comunicação, amplia a experiência sensorial da pessoa com deficiência visual e contribui para a sua constituição como sujeito ativo na produção de sentidos e na elaboração de imagens.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Treme treme treme: ativismo e representatividade na construção de narrativas de empoderamento feminino por ativistas digitais negras na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2024-04-02) VIEIRA, Amanda Karoline Pimentel; BRITO, Rosaly de Seixas; BRITO, Rosaly de Seixas; CAL, Danila Gentil Rodriguez; AMORAS, Maria do Socorro Rayol; http://lattes.cnpq.br/4471773526594200; http://lattes.cnpq.br/4593992869253877; http://lattes.cnpq.br/4427101624225075; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0003-3243-8368; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000Propomos nesta pesquisa analisar o challenge, desafio virtual nas redes sociais, sob o aspecto social e político. O desafio que ensejou este estudo é o challenge Treme treme treme, voltado a exaltar a negritude amazônica no Instagram. Trata se de uma versão amazônica do desafio virtual chamado Don’t rush challenge, cujo objetivo é valorizar a beleza preta, bem como promover o empoderamento de mulheres negras, em busca de representatividade e aceitação social e de si mesmas. Postulamos, aqui, o papel das mulheres que protagonizam o desafio como ativistas, por abordarem em suas postagens narrativas que envolvem, para além da valorização da beleza preta, elementos que contribuem para confrontar o racismo estrutural vigente na sociedade brasileira. Atraem, dessa maneira, a atenção de seus seguidores para esse tema e suas implicações. Pretendemos investigar, por meio do challenge Tremme Treme Treme, como as produções midiáticas de ativistas no Instagram perante os preconceitos vivenciados diariamente por mulheres negras ressignificam o papel das redes digitais e podem constituir um importante instrumento na luta pelo empoderamento feminino. Aquino (2009) nos permite pensar o desafio virtual como uma nova forma de ativismo, graças à sua capacidade de gerar uma ação conectiva, no sentido que lhe é atribuído por Prudencio (2018). É notável o entrelaçamento entre o ativismo e os conceitos de participação, conectividade, subversão, bem como a ausência dos limites entre físico e virtual (MALINI E ANTOUN, 2013). Considerando o ambiente midiatizado, ou o bios midiático (SODRÉ, 2010), analisamos os relatos de si apresentados no desafio virtual sob a ótica da narrativa, partindo do pressuposto de que é por meio da narração que se constroem identidades, assim como realizamos entrevistas com as participantes e com as espectadoras do challenge. A pesquisa se desenvolve sob a perspectiva da teoria feminista negra e das narrativas de si, base para a análise das experiências individuais apresentadas no desafio. A pesquisa parte do pressuposto de que as mídias digitais não devem ser vistas como mero instrumento ou ferramenta, e sim como um ambiente no qual, ao interagirmos, construímos laços e podemos participar de alguns debates cruciais na sociedade contemporânea, como é o caso do objeto de estudo deste trabalho. É perceptível também que a valorização da beleza preta em si não é suficiente para empoderar um indivíduo, principalmente se não estiver atrelada a uma consciência crítica racial. Postulamos que a confrontação e rupturas com a matriz moderno-colonial, numa perspectiva antirracista e decolonial, são fundamentais para a reafirmação da identidade negra. O challenge contribui, nesse sentido, na formação de uma consciência crítica racial ao promover uma reflexão acerca da autoaceitação da beleza negraDissertação Acesso aberto (Open Access) Tambor de Mina no ciberespaço: o cotidiano de Pai Denilson de Oxaguiã como forma de resistência(Universidade Federal do Pará, 2026-03-05) ROSÁRIO JÚNIOR, Arlindo Figueiredo do; CASTRO, Fábio Fonseca de; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; CASTRO, Marina Ramos Neves de; ALENCAR, Breno Rodrigo de Oliveira; SILVA, Maurício Ribeiro da; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; http://lattes.cnpq.br/4896717603786046; http://lattes.cnpq.br/4877338269913550; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0002-7152-2581Esta pesquisa busca estudar a presença dos Povos Tradicionais de Matriz Africana no ciberespaço, a partir de uma etnografia multissituada. Assumindo a condição de pesquisador nativo, por ser sacerdote de Tambor de Mina, vivenciei e observei tanto no ambiente online quanto no ambiente offline as interações e o cotidiano de Pai Denilson de Oxaguiã, sacerdote e ativista. Além de fazer um mapeamento da realidade digital do povo de terreiro presente na Região Metropolitana de Belém, o estudo buscou compreender o processo de socialização, interação e resistência, permitindo que essa tradição afro-amazônica possa se adaptar aos novos contextos tecnológicos sem perder suas raízes ancestrais. A pesquisa também analisa as tensões e os potenciais decorrentes desse processo, questionando como a plataformização influencia a preservação, a inovação e a visibilidade do Tambor de Mina no século XXI. O estudo demonstrou que a migração para o ambiente digital tem um duplo e contraditório papel na resistência ao racismo religioso, aqui denominado racismo tradicional. Por um lado, o ciberespaço oferece ferramentas para visibilidade e organização, criando redes de apoio e permitindo a circulação de saberes, configurando uma resistência digital. Exemplos disso são a divulgação pedagógica e a atuação de Pai Denilson de Oxaguiã, que constrói um ciberterreiro pedagógico memorialista. Por outro lado, o ciberespaço intensifica e moderniza o racismo, atuando como uma ferramenta eficiente de silenciamento e extermínio simbólico. As descobertas revelam barreiras materiais profundas: a maioria acessa a internet por smartphones Android básicos (84,3%) e conexões precárias, criando um teto tecnológico que limita a produção de conteúdo de qualidade. A comunidade adapta-se utilizando massivamente o WhatsApp (61,4%) como infraestrutura digital leve para comunicação interna. Contudo, sofre com censura algorítmica estrutural, onde 32,9% relatam remoção de conteúdos, mecanismo descrito como uma necropolítica digital. Conclui-se que o racismo online é mais eficiente, combinando anonimato, perseguição e censura automatizada. A superação exige políticas públicas que garantam acesso digital de qualidade, letramento crítico, transparência algorítmica e o reconhecimento de que a intolerância religiosa é expressão do racismo estrutural. A resistência documentada mostra uma tradição em reinvenção, aprendendo a codificar sua ancestralidade no mundo híbrido contemporâneo para não ser silenciada.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Cinema de mulheres negras em Belém do Pará: o audiovisual como dimensão política(Universidade Federal do Pará, 2026-05-12) RAMOS, Irlanna Dias; BRITO, Rosaly de Seixas; http://lattes.cnpq.br/4471773526594200; COSTA, Vânia Maria Torres; GOMES, Angela Nelly dos Santos; http://lattes.cnpq.br/7517564393392394; http://lattes.cnpq.br/0933449554354440; https://orcid.org/0000-0002-0493-8763Esta pesquisa tem por objetivo analisar o significado da presença de cineastas negras na produção cinematográfica em Belém do Pará, correlacionando-a com os debates em torno do cinema negro brasileiro. A pesquisa volta-se à discussão sobre o cinema negro feito por mulheres na capital paraense, construindo um debate em torno da atuação de duas realizadoras, Joyce Cursino e Beatriz Balby, em busca de identificar nas temáticas tratadas as principais motivações estético-políticas em seus filmes. Também são interlocutores da pesquisa a roteirista Flávia Ribeiro e o arte-educador do Telas em Movimento, Mário Costa, que contribuem para compreender como se configura a construção do audiovisual na cidade. Formulou-se, então, a pergunta norteadora da pesquisa: Qual a proposta estético-política e em quê se singulariza o cinema feito por mulheres negras em Belém do Pará? O estudo baseia-se no diálogo com autores que refletem sobre o cinema negro brasileiro, como Ferreira e Souza (2025), Souza (2013, 2020), Carvalho e Domingues (2018), Nascimento (1985, 2022) e Cruz (2019), sobre os movimentos cinematográficos (Bernardet, 2014), questões estético-políticas (Rancière, 2010, 2018; Costa, 2020), a teoria contracolonial (Bispo dos Santos, 2019, 2023) e a reflexão acerca das identidades culturais (Hall, 2006; Evaristo, 2017). No âmbito teórico-metodológico, a interseccionalidade (Collins; Bilge, 2021) constitui uma lente analítica central, aliada aos aportes do feminismo negro e afro-latino-americano (González, 1984; 2020; Collins, 2016, 2019; Kilomba, 2020). Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa que, além de revisão bibliográfica, recorre a entrevistas semiestruturadas (Gaskell, 2002) e breves análises fílmicas dos trabalhos selecionados das cineastas (Aumont, 2004; Rose, 2002; Loizos, 2002).Dissertação Acesso aberto (Open Access) Letreiramento de quadrinhos na Amazônia: processos de resistência no letreiramento de Tiêe Santos(Universidade Federal do Pará, 2026-03-27) BOTELHO, Francinete Costa; CASTRO, Marina Ramos Neves de; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; CASTRO, Marina Ramos Neves de; CASTRO, Fábio Horácio Fonseca de; ONO, Ricardo Harada; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/1625908340421182; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000A presente pesquisa busca compreender como as relações culturais e identificações moldam a cosmopercepção de mundo de um artista amazônida e influenciam no fazer artístico relacionado a linguagem padronizada dos quadrinhos. Buscamos esse entendimento a partir do desenho de letras (letreiramento) produzido pelo artista Tiêe Santos em diversas histórias em quadrinhos popularizadas enquanto narrativas de resistência na Amazônia brasileira. Destacamos a importância da abordagem do letreiramento para a linguagem das histórias em quadrinhos, uma temática relativamente nova no âmbito acadêmico, artístico e comunicacional. As histórias em quadrinhos enquanto objetos de difusão de saberes, culturas e vivências detêm discursos que refletem uma visão específica (Eisner, 2010, Postema, 2018) e embora tenham sido modeladas pelo mercado, elas podem ser moldadas por agentes culturais. Para alcançar o entendimento proposto, será analisado o letreiramento de três histórias em quadrinhos produzidos pelo artista amazônida Tiêe Santos, segundo os processos de análise narrativa de Motta (2013) em diálogo com o conceito de Thierre Groensteen (2015) e Ellen Lupton (2020), norteados pela seguinte questão: Quais influencias formaram a linguagem dos quadrinhos na Amazônia brasileira e como as influências simbólicas das culturas amazônicas resistem e se manifestam no letreiramento de quadrinhos de Tiêe Santos? Com base teórica nos trabalhos de Eisner (2010), Postema (2018) e Piekos (2021) para conceituar a linguagem dos quadrinhos e seu letreiramento e diálogos com as obras de Paes Loureiro (1995), Porto-Gonçalves (2024) e Castro (2018) para as reflexões acerca das sociedades e visualidades amazônicas, espera-se contribuir para o aprofundamento sobre aspectos da produção de quadrinhos nas Amazônias e principalmente para a valorização e letreiramento, assim como aqueles que o fazem.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Escrevivências compartilhadas: memórias de telenovelas e representação racial a partir do coletivo de juventude negra do CEDENPA(Universidade Federal do Pará, 2025-03-20) ARGÔLO, Vic; AMARAL FILHO, Otacílio; BRITO, Rosaly de Seixas; http://lattes.cnpq.br/4471773526594200; AMARAL FILHO, Otacílio; COSTA, Vânia Maria Torres; DEUS, Zélia Amador de; http://lattes.cnpq.br/2605877670235703; http://lattes.cnpq.br/7517564393392394; http://lattes.cnpq.br/2137015557793418; https://orcid.org/0000-0001-5467-8528; https://orcid.org/0000-0002-0493-8763O objetivo desta dissertação é escreviver sobre memórias negras a partir das telenovelas brasileiras, entendendo a teledramaturgia como uma forma de narrativa que ultrapassou a dimensão do lazer e possui dimensões de interatividade e sociabilidades específicas entre subjetividades e corporeidades negras. A pesquisa ancora-se nas escrevivências (Evaristo, 2016; 2020; 2022; 2024) por se tratar de uma experiência metodológica de caráter interdisciplinar, capaz de auxiliar nós, pessoas negras, a produzir e contar nossas narrativas vivenciadas e/ou compartilhadas. Compreendendo a teleficção como parte das construções de sentidos na vida cotidiana brasileira, este trabalho considera o conteúdo televisivo como um produto midiático que contribui para construção de imaginários sociais, que podem (re)produzir sentidos e estereótipos sobre a questão racial e os corpos racializados. Este estudo tem como sujeitos interlocutores os membros do Coletivo de Juventude Negra do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – Cedenpa, que entram em cena para poder discutir sobre como são personagens negros em telenovelas são representados no enredo e na narrativa, a partir de seu olhar, e que memórias essas narrativas acionam em jovens negros do coletivo. Indaga-se também em que contextos interpessoais esses jovens partilharam o ato de assistir a telenovelas. Partimos do pressuposto de que as telenovelas são ativadoras simultaneamente de memórias pessoais e coletivas. Buscamos compreender de que maneira os enredos de personagens negros provocam disputas pela interpretação de sentidos, em vista da localização social e racial dos telespectadores. Para tanto, faz-se importante analisar os contextos em que se dá a recepção de telenovelas no cotidiano e como interferem na criação de um ritual compartilhado com dimensões sensíveis e afetivas. A coleta dos dados se deu a partir dos grupos focais junto ao Coletivo de Juventude Negra do Cedenpa, com o intuito de entender que outras possibilidades de memórias sensíveis as telenovelas podem provocar em sujeitos negros Os resultados aqui apresentados nos direcionam para caminhos insurgentes de representação, que estamos traçando enquanto subjetividades negras, bem como para o entendimento de que, a despeito das reiterações de estereótipos raciais, as telenovelas ainda podem contribuir para pensar em possibilidades de outras vidas e outros mundos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Rádio Super Marajoara, na cabeça e no coração do povo: a plataformização da 1130 na internet(Universidade Federal do Pará, 2025-06-28) SANTOS FILHO, Ronaldo do Socorro Lopes dos; SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; http://lattes.cnpq.br/2301685130625189; STEINBRENNER, Rosane Maria Albino; MARTINS, Nair Prata Moreira; http://lattes.cnpq.br/1508467019000744; http://lattes.cnpq.br/0361994058120484; https://orcid.org/0000-0003-4321-7245; https://orcid.org/0000-0002-9127-7720Com o avanço da internet e a consolidação de plataformas como o YouTube, o rádio tradicional tem enfrentado o desafio de se reinventar para manter sua relevância e alcance. A plataformização do rádio, caracterizada pela integração de áudio e vídeo em transmissões on-line, tem provocado mudanças significativas na lógica de produção, distribuição e consumo de conteúdo radiofônico. Esse fenômeno, embora amplamente observado em grandes centros urbanos, também alcança regiões periféricas do país, como a Amazônia, onde emissoras locais precisam se adaptar às exigências do ambiente plataformizado. Diante desse cenário, esta dissertação de mestrado investiga como a Rádio Super Marajoara, uma das mais tradicionais de Belém do Pará, tem buscado se adaptar ao processo de plataformização do rádio. O objetivo é compreender as transformações tecnológicas, operacionais e simbólicas que marcaram a transição da emissora para o ambiente on-line, especialmente a partir da adoção de plataformas de vídeo e redes sociais. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa com base na comunicação radiofônica (Kischinhevsky, 2016), combinando a autoetnografia com entrevistas semiestruturadas (Lakatos; Marconi, 2003). O estudo fundamenta-se em autores como Castells (2016), Chagas (2017) e Costa (2011) para discutir a transformação do rádio, e em referências regionais como Costa (2000; 2011; 2023), Ribeiro (2010), Seixas, Rodrigues e Santa Brígida (2020) e Silva Júnior e Seixas (2022), que contribuem para uma compreensão mais profunda do rádio no contexto amazônico. Também são utilizadas as contribuições de Vieira e Gonçalves (2003) e Leal (2010). Fundada em 1954 e celebrando 70 anos em 2024, a Rádio Super Marajoara consolidou sua presença no imaginário popular paraense com o slogan “na cabeça e no coração do povo”. Reconhecida por seus programas de entretenimento e cobertura esportiva, a emissora passou por significativas mudanças nos últimos anos, incorporando recursos audiovisuais em sua programação diária voltada para o jornalismo, o esporte e o entretenimento. Ao registrar essa transição, a dissertação busca contribuir para a compreensão do rádio na Amazônia, evidenciando os impactos e as potencialidades trazidas pela plataformização no cenário regional.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Jornalistas no front: entre violências, confrontos e resistências na Amazônia Paraense(Universidade Federal do Pará, 2025-07-02) MACHADO, Rosemary Gomes da Silva; COSTA, Alda Cristina Silva da; https://lattes.cnpq.br/2403055637349630; COSTA, Vânia Maria Torres; OLIVEIRA, Ivana Cláudia Guimarães de; https://lattes.cnpq.br/7517564393392394; https://lattes.cnpq.br/2354238224698969; https://orcid.org/0000-0002-0493-8763O jornalismo, enquanto instituição social, constitui um dos pilares fundamentais da democracia, pois sua razão de ser está intrinsecamente ligada à função social de informar. A informação jornalística, ao promover o exercício da cidadania, estimular o debate público e contribuir para a formação da opinião pública, torna-se elemento central na construção social da realidade. Essa mediação entre sociedade e informação é realizada pelo jornalista, profissional que, ao abordar questões sensíveis como desigualdades, corrupção e violações de direitos, frequentemente enfrenta riscos que comprometem sua segurança, sua saúde, sua liberdade e, em casos extremos, sua própria vida. A presente pesquisa tem como objeto a violência contra sete jornalistas na Amazônia Paraense, a partir da pergunta central: como essa violência se configura na prática profissional dos jornalistas que atuam na região? Para respondê-la, foram entrevistados sete profissionais que viveram contextos de intensificação da violência, desde o regime militar de 1964 até os anos recentes, marcados pelo governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), incluindo o período crítico da pandemia da Covid-19. A investigação revelou que exercer o jornalismo na Amazônia é, por si só, um desafio, dada a complexidade do território, a fragilidade institucional e os interesses que atravessam os conflitos socioambientais e políticos da região. As entrevistas evidenciam que o jornalismo amazônico se constituiu, nas últimas décadas, como um espaço de resistência cotidiana diante da crescente hostilidade aos profissionais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada em entrevistas em profundidade com jornalistas atuantes na região, cujos relatos permitem compreender as múltiplas formas da violência, simbólica, física, psicológica e institucional, que afetam diretamente o exercício da profissão e, por consequência, a própria democracia.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O futuro ancestral da comunicação política: análise e reflexões sobre as primeiras candidaturas indígenas para deputadas federais do Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-03-14) PEREIRA, NailanaThiely Salomão; STEINBRENNER, Rosane Maria Albino; http://lattes.cnpq.br/1508467019000744; https://orcid.org/0000-0003-4321-7245Nas últimas sete décadas, os povos indígenas começaram a eleger seus primeiros representantes para cargos eletivos e o crescimento desta participação em processos eleitorais no Brasil tem voltado o olhar de pesquisadores para reflexões sobre esta expansão enquanto fenômeno sociopolítico (Baniwa, 2003, 2006, 2010, 2022; De Paula, 2017, 2023; Harari, 2023; Jecupé, 1998; Lima, 2010, 2022; Oliveira, 1968; Oliveira, 1983; Pataxó, 2023; Terena, 2021; Tuxá, 2020; Verdum, 2004, 2023). A dimensão comunicacional, entretanto, atravessa esses estudos ainda de maneira incipiente. Poucas pesquisas exploraram a forma como os povos indígenas se envolvem com a comunicação político partidária, suas contribuições, o impacto das estratégias de campanha na mobilização eleitoral entre não-indígenas e indígenas e as barreiras culturais enfrentadas por esses grupos. Apesar da Constituição Federal de 1988 reconhecer as organizações sociais e culturais dos povos indígenas como base para cidadania diferenciada – noção que se explica, segundo Baniwa (2022), na medida em que povos indígenas têm direitos específicos, além daqueles extensivos ao restante de cidadãos brasileiros, a representatividade no Legislativo, Executivo e também no Judiciário, ainda é proporcionalmente incipiente para que indígenas participem politicamente de forma mais ativa nas decisões que dizem respeito a seus povos e ao país, como um todo. O direito à cidadania política diferenciada, e as lacunas de estudos sobre os desafios de comunicação político partidária de indígenas nas eleições brasileiras são o ponto de partida e justificativa deste estudo, que objetiva analisar a candidatura das duas primeiras indígenas a deputadas federais do estado do Pará, suas ontologias e reafirmações de si enquanto candidatas indígenas, buscando compreender as estratégias e os desafios de comunicação eleitoral, sobretudo frente às desigualdades estruturais do processo eleitoral no Brasil. Para isso, utilizamos o conceito de contracolonização de Nego Bispo (2015), os Estudos Críticos da Branquitude por Deivison Faustino (2017), Priscila Elisabete Da Silva (2017), W. E.B. DuBois (1920, 1935); Frantz Fanon (1952); Albert Memmi (1957), Steve Biko (1978) e Alberto Guerreiro Ramos (1957), Lourenço Cardoso (2017), Daniela Núñez Longhini (2022), Lia Schucman (2017), Bento, (2002) e a visão comunicacional de Paulo Freire (1976, 1981, 1986, 1987, 1994), através de uma investigação mista e em profundidade da campanha das candidatas, complementando as reflexões com teóricas(os) das resistências à colonialidade. Entre as diversas assimetrias (ontológicas, estruturais, financeiras, raciais), a necessidade de implantação de uma eleição especial e diferenciada para povos indígenas, com cadeiras reservadas no Parlamento, mostrou-se como proposta de urgente debate e implementação.
