Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2307
O Mestrado em Agriculturas Amazônicas teve início em 1996 anteriormente Curso de Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável e reconhecido em 2000 pela CAPES e funciona no Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas (PPGAA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). É um curso interinstitucional, sendo sua oferta responsabilidade do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares - INEAF da UFPA e da EMBRAPA/CPATU – Amazônia Oriental.
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Escola indígena Karaí Guaxu: a luta e os desafios do povo Guarani-Mbyá, da Terra Indígena Nova Jacundá, por uma Educação Escolar Indígena(Universidade Federal do Pará, 2022-12-20) SANTOS, Genilson de Sousa; MOURA, Gustavo Goulart Moreira; http://lattes.cnpq.br/4226146956798142; https://orcid.org/0000-0001-7157-857X; LIMA, Luiza de Nazare Mastop de; GOMES, Carlos Valério Aguiar; SILVA, Katiane; http://lattes.cnpq.br/1067737666679586; http://lattes.cnpq.br/8029121431602869; http://lattes.cnpq.br/2513553021717721; https://orcid.org/0000-0002-1938-9373Esta pesquisa está referida ao tema da educação escolar indígena e aborda o caso do povo Guarani-mbyá, da terra indígena Nova Jacundá, município de Jacundá, estado do Pará. Descreve o processo de ocupação do território, organização, luta pelo reconhecimento e reivindicação de educação escolar, além de apresentar os desafios, no contexto de um território etnoeducional, para a implantação de uma educação condizente com as demandas do povo Guarani, qual seja, diferenciada e pautada nos princípios da Educação Escola Indígena. A pesquisa buscou analisar a implementação da política nacional dos Territórios Etnoeducacionais (TEE) por meio da incorporação do sistema agrícola Guarani-Mbyá na matriz curricular da Escola Indígena Karaí Guaxu. Para tanto, foi realizada pesquisa de campo com observação direta, realização de entrevistas, além de pesquisa bibliográfica e coleta de material de fontes secundárias. No estudo foram analisados os documentos: Projeto Político Pedagógico (PPP) e projeto e relatórios do processo de construção da Matriz Curricular da Escola Indígena Karaí Guaxu, localizada na Terra Indígena. Por meio da análise e de reflexões acerca do PPP e da matriz curricular Guarani, pude perceber que o povo Guarani tem avançado muito com relação à afirmação de uma Educação Escolar Indígena, apesar disso, também se pode concluir que os desafios são muito grandes nesse processo ainda em construção. Os resultados evidenciam que um dos grandes problemas refere-se à dificuldade de se colocar em prática tudo que vem sendo construído e o que já consta nos dois documentos, o PPP, já finalizado, e o documento curricular ainda por ser finalizado. As falas dos entrevistados, principalmente dos professores, apontam a necessidade de se levar em consideração no processo de escolarização tudo que foi inserido nos dois documentos, assim os alunos terão uma educação condizente com a vivência e história Guarani. O estudo mostrou também vários elementos dos sistemas agrícolas Guarani-Mbyá inseridos tanto no PPP da Escola Karaí Guaxu quanto nos relatórios de construção da matriz curricular Guarani e ainda que o Sistema Modular de Ensino (SOME), ofertado para os alunos do ensino fundamental maior, não contempla as necessidades e especificidades dos moradores de Nova Jacundá, uma vez que gostariam que os professores fossem todos da comunidade, no momento em que houver profissionais formados na própria terra indígena. Demandam também que o ensino funcione de forma regular.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Conflitos socioambientais e resistência camponesa: estudo do efeito da utilização da hidrovia Tapajós-Amazonas em uma comunidade ribeirinha do estuário amazônico(Universidade Federal do Pará, 2019-08-06) MESQUITA, Jaqueline Raquel Cardoso; ALVES, Livia de Freitas Navegantes; http://lattes.cnpq.br/1337509239539346; TORRES, Maurício Gonsalves; BRINGEL, Fabiano de Oliveira; STEWARD, Angela May; http://lattes.cnpq.br/3514108376561503; http://lattes.cnpq.br/3108578185436706; http://lattes.cnpq.br/6123114287861055; https://orcid.org/0000-0002-8380-9096O avanço do agronegócio na Amazônia brasileira traz consigo uma série de conflitos socioambientais para os povos e comunidades tradicionais que habitam os espaços pleiteados pelo grande capital para implantação dos seus projetos. Para estudar os conflitos socioambientais decorrentes da utilização do furo do Capim como parte da hidrovia Tapajós- Amazonas, foi necessário identificarmos quais as mudanças ocorridas na ilha do Capim e descrever de que forma ocorre a espacialização das narrativas dos ribeirinhos sobre a percepção dessas transformações, que compõe o primeiro artigo deste trabalho. Para isso realizamos entrevistas históricas, aplicação de questionários, observação participante e oficinas para análise de conflitos socioambientais. No segundo artigo focamos em analisar de que forma as transformações estão relacionadas com a desterritorialização dos ribeirinhos, partindo de um estudo que discorre sobre a territorialização do agronegócio e as mudanças ocasionadas nas práticas produtivas e alimentares das famílias. Para isso foi necessário realizarmos entrevistas históricas, questionários, observação participante e croqui de acesso aos alimentos das famílias ribeirinhas. No terceiro e último artigo buscamos pautar as ações do agronegócio na ilha do Capim e seus arredores e contextualizar o histórico da resistência das famílias frente à apropriação e uso do seu território. Para isso realizamos entrevistas históricas, observação participante e oficina para análise de conflitos socioambientais. Constatamos que as narrativas dos ribeirinhos sobre a percepção dos conflitos socioambientais vivenciados, estão ligadas tanto a elementos individuais como a elementos coletivos. Essas diferenças são resultantes das diversas territorialidades desse mesmo grupo social, sendo todas elas usadas a favor da territorialização e reinvindicação desse território. Verificamos também que ocorreram mudanças nas práticas produtivas e alimentares dos ribeirinhos, após a utilização do furo do Capim como parte da hidrovia, e que essas mudanças são percebidas como negativas por eles. Ainda identificamos que as ações do agronegócio são articuladas de forma a desterritorializar os ribeirinhos, que por sua vez se articulam com instituições que os apoiam e promovem iniciativas que afirmam o direito de permanência em seus territórios.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Invasão e violência: sobreposições da pretensa propriedade privada em terras indígenas no Brasil(Universidade Federal do Pará, 2026-02-11) CARLINI, Eduardo Luiz Damiani Goyos; TORRES, Maurício Gonsalves; http://lattes.cnpq.br/3514108376561503; DOBLAS, Juan Doblas; FARIA, Camila Salles de; SANTOS, Sônia Maria Simões Barbosa Magalhães; GUERRERO, Natalia Ribas; http://lattes.cnpq.br/8112106930512900; http://lattes.cnpq.br/6460752500225062; http://lattes.cnpq.br/2136454393021407; http://lattes.cnpq.br/2929109944619542; https://orcid.org/0000-0002-2573-3783; https://orcid.org/0000-0003-3349-4273Esta dissertação analisa as invasões de terras indígenas (TIs) no Brasil como expressão estrutural da formação da propriedade privada no campo, articulada à concentração fundiária, à grilagem de terras e à acumulação capitalista. A pesquisa fundamenta-se em uma base de dados elaborada a partir de informações públicas oficiais e em técnicas de geoprocessamento e análise documental, por meio das quais foram identificadas 1.694 sobreposições de imóveis rurais privados sobre TIs, totalizando mais de 1,18 milhão de hectares invadidos em quase todas as Unidades da Federação. Os resultados evidenciam que as invasões e as violências atingem terras indígenas em distintas fases do processo demarcatório, inclusive áreas homologadas, indicando que a usurpação territorial compõe uma prática sistemática legitimada direta ou indiretamente pelo Estado. A análise do uso do solo demonstra a predominância de atividades agropecuárias voltadas à produção de commodities, sobretudo pastagens e soja, bem como áreas destinadas à reserva patrimonial e à especulação fundiária. A dissertação incorpora, ainda, um estudo de caso da Terra Indígena Comexatibá, por meio da análise das cadeias dominiais dos imóveis incidentes, evidenciando a recorrência de títulos sem origem e a atuação estatal na titulação e anistia da grilagem. Conclui-se que as invasões constituem mecanismo central de espoliação territorial e base material dos conflitos agrários no Brasil, reproduzindo a violação sistemática dos direitos dos povos indígenas no Brasil.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “O que vamos comer hoje, professora?”: Um estudo sobre a inserção de alimentos amazônicos no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no contexto da Segurança Alimentar e Nutricional(Universidade Federal do Pará, 2024-10-09) MORAIS, Rayssa De Fátima Gomes; ALVES, Livia de Freitas Navegantes; http://lattes.cnpq.br/1337509239539346; FRAZÃO, Andréa das Graças Ferreira; CORREA, Nadia Alinne Fernandes; http://lattes.cnpq.br/5712188054153873; http://lattes.cnpq.br/4959431698628064; https://orcid.org/0000-0002-7833-3919O presente estudo aborda a importância de incorporar produtos originários da Amazônia no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), como uma estratégia para promover a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) nas escolas. O estudo fundamenta que a inclusão de produtos amazônicos na alimentação escolar pode trazer benefícios significativos, tanto para a saúde dos estudantes quanto para a economia local e a preservação da biodiversidade da região. A diversificação da alimentação escolar por meio da inclusão de alimentos da região amazônica não apenas amplia as opções alimentares dos estudantes, mas também contribui para a valorização da cultura local, incentivando a produção e o consumo de produtos tradicionais. No ano de 2022, foi conduzida uma pesquisa de campo nos municípios de Belém, pertencente à região metropolitana, e Cametá, localizado no baixo Tocantins, a partir de escolas selecionadas, tanto de nível municipal quanto de nível estadual do ensino público. Apesar de estarem situadas em diferentes regiões geográficas, as escolas foram escolhidas de maneira criteriosa com o propósito de refletir realidades socioculturais distintas. A condução da pesquisa abrangeu uma gama de métodos, incluindo observação participante, a aplicação de questionário, registros fotográficos e revisões bibliográficas. Os resultados obtidos foram abordados e expostos por meio de dois artigos distintos: 1 – O primeiro artigo dedicou-se a identificar a alimentação escolar fornecida nas escolas em diferentes contextos culturais, além de contextualizar a dinâmica do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no estado do Pará. Para alcançar seus objetivos, a pesquisa empregou técnicas de campo, incluindo a observação participante, a aplicação de questionário, além da revisão bibliográfica contextualizando a dinâmica do PNAE no estado do Pará; 2 – O segundo artigo direcionou seu foco na análise do impacto da alimentação escolar na promoção da Segurança Alimentar e Nutricional dos educandos, específicos do 8º ano do ensino fundamental. A conclusão derivada dos resultados evidenciou que os estudantes enfrentam obstáculos consideráveis para obter acesso a uma dieta condizente com princípios de adequação e nutrição. A conjugação dessas abordagens proporcionou uma investigação abrangente das mudanças na alimentação escolar, gerando percepções valiosas sobre a evolução das políticas e práticas ao longo do tempo, suas consequências e possíveis direções futuras. Os resultados antecipados deste estudo têm o potencial de influenciar a tomada de decisões e a elaboração de políticas que melhorem o sistema de alimentação escolar, assegurando uma nutrição adequada e saudável para os alunos dessas localidades.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Transição produtiva para implantação de sistemas agroflorestais na agricultura familiar em Tomé-Açu: estudo de caso na comunidade de Santa Luzia – PA(Universidade Federal do Pará, 2024-05-27) NOGUEIRA, Ludmila da Rocha; ARAGÃO, Débora Veiga de; http://lattes.cnpq.br/3936738736449608; KATO, Osvaldo Ryohei; http://lattes.cnpq.br/4241891652832872; https://orcid.org/0000-0002-2422-9227; OLIVEIRA, Jose Sebastião Romano de; SILVA, Luis Mauro Santos; http://lattes.cnpq.br/8943632694777429; http://lattes.cnpq.br/7285459738695923; https://orcid.org/0000-0003-1311-1271O uso tradicional do corte e queima por agricultores familiares na Amazônia, especialmente em Tomé-Açu entre 1947 e 1968, foi impulsionado pela introdução do cultivo de pimenta-do-reino (Piper nigrum) em larga escala a partir da chegada dos imigrantes japoneses na década de 30, transformando a região em um centro de produção para exportação. No entanto, a competição global e a Fusariose (Fusarium spp) causaram uma crise financeira, afetando os agricultores familiares dependentes desse cultivo. Em resposta, os produtores japoneses precisaram modificar suas formas de produção, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) foram uma alternativa, representando uma significativa mudança na prática agrícola do município, visando modelos mais sustentáveis e diversificados. Este estudo tem como foco entender o processo de transição produtiva de quatro agricultores familiares em Santa Luzia, Tomé-Açu, Pará, afim de entender se deram as mudanças nas propriedades com a introdução dos SAFs. Para isso, foram aplicados questionários, registros fotográficos e análise multitemporal das propriedades pelo software QGIS. Como resultados, observou-se que a criação da APRAFAMTA foi fundamental para disseminar conhecimentos sobre SAFs, facilitando a inclusão dos agricultores em políticas públicas como o PNAE e o PAA, ampliando os canais de comercialização. Além disso, as quatro famílias estudadas abandonaram o monocultivo de pimenta (Piper nigrum L.) em favor dos SAFs, contribuindo para uma produção sustentável, com uma diversidade de espécies e arranjos produtivos dentro de seus sistemas, o que permite garantir renda e alimentos ao longo de todo o ano, não dependendo apenas de uma única cultura. No entanto, ainda há desafios, como as dificuldades presentes nos financiamentos bancários e poucos canais de comercialização direta, mesmo com a introdução da associação no mercado, o que os torna dependentes de atravessadores. Conclui-se que a transição para SAFs foi crucial para garantir uma produção diversificada, segurança alimentar e soberania às famílias, promovendo uma maior autonomia e resiliência frente aos desafios do mercado, além da melhoria da qualidade de vida e estrutura das propriedades.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Repactuação dos acordos de pesca do mapará (Hypophthalmus edentatus) no Rio Baixo Anapu, interior do município de Igarapé-Miri(Universidade Federal do Pará, 2024-06-26) MACIEL, Maria Beatriz Portilho; MOURA, Gustavo Goulart Moreira; http://lattes.cnpq.br/4226146956798142; https://orcid.org/0000-0001-7157-857X; SILVA, Katiane; FOPPA, Carina Catiana; BARBOZA, Roberta Sá Leitão; http://lattes.cnpq.br/2513553021717721; http://lattes.cnpq.br/0150061207696674; http://lattes.cnpq.br/9331256487699477; https://orcid.org/0000-0002-1938-9373; https://orcid.org/0000-0003-2367-553XA pesca, uma das atividades humanas mais antigas, desenvolvidas pelos povos da região Amazônica, se reveste de grande importância na vida de comunidades tradicionais, seja pela produção de alimentos ou abastecimento dos comércios nos centros urbanos da capital e do interior de estado. Na região do Baixo Tocantins a pesca artesanal de destaca a partir do declínio dos engenhos (1975), onde os ribeirinhos buscam na atividade da pesca uma alternativa para garantir o sustento de suas famílias, tornando-a uma profissão de grande valor econômico, social e cultural. Apesar da sua importância a pesca artesanal é impactada negativamente, sobretudo pela construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí década de 1980. Devido ao barramento do rio Tocantins pela hidrelétrica, instala-se uma crise no setor da pesca artesanal, desencadeando conflitos entre pescadores e ribeirinhos em torno dos recursos pesqueiros, impulsionando-os a buscar estratégias para amenizar os conflitos e regular o acesso e uso do pescado em especial do mapará. Nessa perspectiva, surgem as experiências de gestão compartilhada criada a partir das demandas dos ribeirinhos e pescadores artesanais - os chamados acordos de pesca. O trabalho tem como objetivo analisar o processo de repactuação do acordo de pesca do mapará (Hypophthalmus edentatus) no Rio Anapu, interior do município de Igarapé- Miri, relatando como acorreu esse processo a partir da divisão do território de pesca em dois grupos (grupo de baixo e grupo de cima), e o envolvimento de conflitos intercomunitários entre os usuários dos recursos pesqueiros, a pesquisa foi desenvolvida em regime de trabalho autoetnográfico que, enquanto método, entende o trabalho de campo como uma experiência vivida pelo sujeito que pertence ao lócus da pesquisa empírica. Os dados foram coletados através de 12 entrevistas com ribeirinhos e pescadores da comunidade do Rio Anapu. Conforme o que se apresenta, por meio da repactuação do acordo de pesca existe uma melhor comunicação e gestão da pesca do mapará na comunidade, após muitos conflitos envolvendo os recursos pesqueiros na localidade.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Território pra gente é casa”: mobilizações quilombistas no Marajó dos Campos(Universidade Federal do Pará, 2025-02-28) COSTA, José Felipe Rodrigues da; PINHEIRO, Patrícia dos Santos; http://lattes.cnpq.br/6769403803602637; https://orcid.org/0000-0001-5366-3447; MEDEIROS, Monique; http://lattes.cnpq.br/4244130793736395; https://orcid.org/0000-0001-8789-0621; GUERRERO, Natalia Ribas; NOGUEIRA, Mônica Celeida Rabelo; http://lattes.cnpq.br/2929109944619542; http://lattes.cnpq.br/6825916756980912; https://orcid.org/0000-0003-3349-4273; https://orcid.org/0000-0002-4541-7008Esta dissertação tem como lócus de análise o município de Salvaterra, na Ilha do Marajó, estado do Pará, onde se situam cerca de 18 comunidades quilombolas. O estudo se concentra em duas dessas comunidades, Vila União/Campinas e Mangueiras, onde atuam dois movimentos organizados majoritariamente por mulheres: o Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campinas/Vila União (Narq) e o Grupo de Mulheres Sementes do Quilombo, da comunidade de Mangueiras. O objetivo central deste trabalho é analisar as estratégias de resistência quilombola diante dos projetos neocoloniais implementados em Salvaterra (PA). De forma específica, busca-se: (1) identificar as estratégias desenvolvidas por essas organizações para enfrentar os impactos dos projetos neocoloniais nos territórios quilombolas; (2) caracterizar as alianças e redes de apoio formadas para amplificar suas demandas e resistências; e (3) compreender como esses movimentos articulam atividades culturais e econômicas para fortalecer as comunidades quilombolas. A pesquisa adotou entrevistas semiestruturadas individuais com membros do Narq e do Grupo de Mulheres Sementes do Quilombo, além da observação participante em suas atividades coletivas. A análise baseou-se nas perspectivas da antropologia do desenvolvimento, da territorialidade quilombola e do conceito de quilombismo. Os resultados evidenciam que as ações de enfrentamento aos projetos neocoloniais em Salvaterra são fundamentadas em uma identidade étnico-racial, elemento essencial para mobilizar ações e dar coesão ao histórico de organização das comunidades quilombolas. O Narq e o Grupo de Mulheres Sementes do Quilombo se configuram, à luz da teoria do quilombismo, como movimentos quilombistas, pois promovem a autonomia e o fortalecimento comunitário, buscando a independência de suas comunidades. Além de sua identidade quilombista, essas iniciativas integram uma rede mais ampla de mobilizações, articulando-se territorialmente para fortalecer seus territórios por meio de atividades culturais e econômicas, como a dança, a geração de renda e o resgate de práticas agrícolas tradicionais. Essas ações também se conectam a mobilizações estaduais e nacionais, estabelecendo parcerias alinhadas a seus objetivos internos. Ao contribuir para o campo dos estudos sobre quilombos, neocolonialismo e resistência territorial, esta dissertação também dialoga com o debate sobre políticas públicas voltadas para a garantia dos direitos territoriais e o fortalecimento da autonomia das comunidades quilombolas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O acontecimento da comida: memória coletiva sobre produção, preparo e consumo de alimentos no Quilombo Jacarequara, no Nordeste paraense(Universidade Federal do Pará, 2025-07-03) PEIXOTO, Quimera de Moraes; MOTA, Dalva Maria da; http://lattes.cnpq.br/4129724001987611; ZIMMERMANN, Silvia Aparecida; SOUZA, César Augusto Martins de; SANTOS, Raquel Rodrigues dos; http://lattes.cnpq.br/2430257571633286; http://lattes.cnpq.br/3353195442153329; http://lattes.cnpq.br/4077740709764864; https://orcid.org/0000-0003-2318-2743; https://orcid.org/0000-0003-4530-4844Esta dissertação analisa a memória coletiva sobre a produção, o preparo e o consumo de alimentos no território quilombola Jacarequara, localizado no município de Santa Luzia do Pará, na região Nordeste paraense, Amazônia Oriental. O objetivo foi analisar a memória coletiva sobre a produção, preparo e consumo de alimentos no quilombo Jacarequara, em Santa Luzia do Pará no Nordeste Paraense. A metodologia envolveu revisão bibliográfica, análise de estatísticas, a realização de 15 entrevistas abertas com pessoas idosas e 59 entrevistas semiestruturadas com quilombolas de diferentes gêneros e gerações, além de observações de campo realizadas entre 2023 e 2024. Os relatos destacam que, no passado, a maior disponibilidade de terras favorecia uma produção agroextrativista mais diversificada, o que se refletia na variedade e composição das refeições. O preparo dos alimentos era realizado principalmente pelas mulheres, com base nas condições locais, nas chamadas cozinhas estendidas — espaços centrais da casa destinados ao preparo das refeições. Nesses ambientes, utilizavam-se predominantemente utensílios de barro, além de pilões, cuias e cabaças, com o uso limitado de utensílios metálicos. As refeições eram preparadas com grande quantidade de lenha proveniente de galhos de árvores da região. O café da manhã era marcado pelo consumo de mingaus de tubérculos e frutas; o almoço incluía alimentos cultivados nas roças e caças; e o jantar consistia em refeições leves, como caldos e mingaus. No presente, embora a produção voltada ao autoconsumo persista, ela é reduzida, assim como o uso de alimentos tradicionais, devido a dificuldades socioambientais. Mesmo sendo um território titulado, a comunidade enfrenta pressões externas, como o avanço de fazendas e monocultivos, agravadas pela crise climática. A perda de território e a degradação ambiental, registradas na memória coletiva, resultam na diminuição da produção de alimentos e geram riscos de insegurança alimentar, além de transformações na cultura alimentar quilombola.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O desafios da sucessão geracional no extrativismo do babaçu no povoado Sumaúma do Japão (Maranhão, Brasil)(Universidade Federal do Pará, 2024-08-26) SILVA, Silvia Teixeira da; GUERRERO, Natalia Ribas; http://lattes.cnpq.br/2929109944619542; https://orcid.org/0000-0003-3349-4273; BARROS, Flávio Bezerra; ALVES, Yara de Cássia; BARBOSA, Viviane de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262; http://lattes.cnpq.br/3080311482315245; http://lattes.cnpq.br/5697398324818667; https://orcid.org/0000-0002-6155-0511; https://orcid.org/0000-0002-3555-7461A problemática da sucessão geracional no meio rural é uma questão debatida amplamente, tanto entre os próprios povos e comunidades tradicionais e camponesas quanto em diferentes cenários acadêmicos e políticos. A importância dessa discussão está no impacto profundo que a participação dos jovens tem para a continuidade e sustentabilidade do meio rural. A sucessão geracional não é apenas um desafio econômico, mas também social e cultural, afetando diretamente as dinâmicas familiares, a coesão comunitária, a relação com o território, o modo de vida e a transmissão de conhecimentos tradicionais. Esta dissertação analisa a temática da sucessão geracional por meio de um estudo de caso, focado na descrição e análise das práticas contemporâneas de jovens no extrativismo do babaçu no povoado de Sumaúma do Japão, localizado no município de Vitória do Mearim, no Maranhão. Adotou-se uma abordagem qualitativa, com observação participante e a realização de entrevistas semiestruturadas e abertas com um amplo conjunto de interlocutores, que envolveu quebradeiras que estão e que não estão engajadas na atividade, com jovens filhos de quebradeiras de coco babaçu e jovens que migram sazonalmente. Os procedimentos de pesquisa também buscaram uma abordagem etnográfica, principalmente no campo visual, com a produção de cadernos de imagens que acompanham o texto. A pesquisa buscou captar percepções, práticas e valores associados à transmissão do conhecimento tradicional sobre o babaçu, bem como identificar as etapas do trabalho com o babaçu em que os jovens estão presentes e quais os desafios enfrentados no envolvimento com a atividade. A pesquisa revelou que o extrativismo de babaçu segue uma prática importante em Sumaúma do Japão, tanto do ponto de vista econômico quanto da transmissão de conhecimento. Contudo, observou-se que, entre parte significativa da juventude do povoado, é presente o estigma que associa o trabalho do babaçu com a pobreza, prejudicando a motivação à dedicação na atividade, consequentemente fragilizando a sucessão geracional e a transmissão do conhecimento tradicional. Além disso, o estudo apontou também que os eventos de mobilidade sazonal que têm levado jovens rapazes para trabalhar fora do povoado também influenciam a atividade, na medida em que as remessas enviadas por eles, juntamente com a participação em programas sociais e aposentadorias, contribuem para que suas esposas ou mães por vezes optem por não se dedicarem à atividade. Por fim, restrições e cerceamentos no acesso aos babaçuais começam a ser sentidas na região, configurando-se como fator adicional de pressão sobre a atividade. Espera-se que esta pesquisa contribua com o debate sobre sucessão rural, extrativismo de babaçu e o campo de formulação de políticas correlato.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O cooperativismo e as trajetórias familiares: O papel da Coomar nos sistemas produtivos do Quilombo de Pimenteira, Santa Luzia do Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-02-25) CRISTOVÃO, Eduarda Emilia Magalhães; SABLAYROLLES, Philippe Jean Louis; http://lattes.cnpq.br/7201576326250482; SILVA, Luis Mauro Santos; http://lattes.cnpq.br/7285459738695923; https://orcid.org/0000-0003-1311-1271; CAMPELO, Marilu Marcia; ASSIS, William Santos de; GHIRARDI, Maria de Nazaré Reis; http://lattes.cnpq.br/8338592541775616; http://lattes.cnpq.br/0188412611746531; http://lattes.cnpq.br/6685424954177125; https://orcid.org/0000-0002-4517-8705; https://orcid.org/0000-0002-9525-7153A pesquisa tem como objetivo compreender a trajetória dos sistemas produtivos e das práticas de comercialização das famílias da Comunidade Quilombola de Pimenteira, localizada no município de Santa Luzia do Pará, Região Bragantina no Estado do Pará, e o papel que a Cooperativa Mista dos Agricultores e Agricultoras Familiares entre os rios Caeté e Gurupi (Coomar) exerce nessas trajetórias agrárias. Para tanto, buscamos conhecer a história da comunidade, da cooperativa e seu contexto local, caracterizar os sistemas de produção e práticas de comercialização das famílias, além das mudanças percebidas pelos agricultores para então identificar o papel da Coomar nas mudanças observadas. A fim de alcançar os objetivos propostos, foi realizada uma pesquisa de caráter qualitativo na forma de um estudo de caso exploratório. Como instrumentos de pesquisa foram aplicadas junto a comunidade entrevistas semiestruturadas, observação direta em campo, seguida de sistematização e análise dos dados. Os resultados mostram que houve rupturas nas trajetórias produtivas pelo abandono da produção comercial da farinha de mandioca e escolha de alternativas para composição da renda monetária: o murumuru, PNAE e PAA, via cooperativa e açaí, via atravessador. Nesse sentido, a cooperativa exerce um papel importante como canal de comercialização para a comunidade, os mercados acessados via cooperativa moldaram parte das mudanças percebidas nos sistemas de produção, como a inserção do extrativismo do murumuru como principal atividade geradora de renda monetária, maior comercialização e valorização dos cultivos dos quintais agroflorestais, como frutas e hortaliças, e possibilidade de investimento na agricultura, por meio da renda alcançada. Todavia, é importante ressaltar a dependência do mercado aos quais essas relações comerciais do extrativismo de oleaginosas são subordinadas, e a importância da diversificação como instrumento de manutenção da autonomia das comunidades.
